Perspectivas democráticas para alternativas pós-extrativistas a partir da ideia de desenvolvimento dos candidatos a presidente do Brasil

José Armando Ponte Dias Junior

Resum

O modelo hegemônico de desenvolvimento responsável pela difusão do fenômeno neoextrativista na América Latina é insustentável, propiciando agudos impactos ambientais e estimulando um cenário de crescentes conflitos sociais envolvendo os grandes empreendimentos extrativistas. A superação desse paradigma rumo a possibilidades pós-extrativistas e a compreensões alternativas de desenvolvimento passa por transformações profundas nos modos de vida da sociedade, exigindo base de sustentação democrática. Baseado nessas premissas, e limitando sua atenção ao caso brasileiro, o presente artigo busca investigar quais elementos democráticos podem sustentar transição econômico-ecológica de tão significativo porte, buscando compreender se há indícios de que essa transição a modelos pós-extrativistas possa ocorrer unicamente a partir da alternância de governos. Como metodologia, o artigo toma como corpus os programas de governo registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral pelos dois principais candidatos a presidente da República nas eleições brasileiras de 2018, identificando as semelhanças entre os modelos de desenvolvimento propostos, para apontar, ao fim, que a democracia representativa não tem oferecido alternativas efetivas ao extrativismo, fazendo-se necessário nesse processo de transição o incremento da participação política pelos canais não eleitorais da democracia participativa.


Paraules clau

Democracia; Desenvolvimento; Extrativismo; Meio ambiente; Participação política

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DOI: https://doi.org/10.17345/rcda3043



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